Devido à “indiferença” fotógrafo morre nas ruas de Paris

"Quando um ser humano está deitado no passeio, apesar da nossa pressa, verifiquemos a sua condição. Paremos por um momento."
27 Janeiro 2022

O fotógrafo franco-suíço René Robert, de 84 anos, morreu de hipotermia na madrugada do dia 20 de janeiro, depois de ter caído nas ruas de Paris, onde permaneceu durante nove horas, sem ajuda dos transeuntes.

O jornalista e músico Michel Mompontet denunciou o caso na rede social Twitter, adiantando que, na noite de 19 de janeiro, o amigo terá saído de casa, “em pleno centro de Paris”, onde acabou por cair e desmaiar.



Robert terá passado nove horas ao frio, sem que ninguém o ajudasse, até que uma mulher em situação de sem-abrigo, Fabienne, alertou os serviços de emergência.

“Demasiado tarde. Em hipotermia, já não pôde ser reanimado. Durante nove horas, nenhum transeunte parou para ver porque é que este senhor estava deitado no passeio. Ninguém”, denunciou Mompontet, que descreveu Robert como “um amigo gentil, sensível e humanista”, que foi “assassinado pela indiferença”.



Em emissão na rádio France Info, o jornalista frisou que o amigo, fotógrafo apaixonado pelo flamenco, “permaneceu sozinho no chão, consciente, pelo menos nas primeiras cinco ou seis horas, num dos bairros mais movimentados de Paris, sem que ninguém interviesse”.

“Como é que esquecemos a própria base da humanidade?”, questionou, indignado.



De acordo com o jornal francês Le Figaro, o fotógrafo terá sofrido um traumatismo craniano, passando aquelas horas “deitado no chão, [coberto de] sangue”. Em estado de hipotermia avançado, acabou por ser declarado como morto no Hospital Cochin.

Também Fabienne apontou a indiferença quotidiana dos transeuntes ao jornal RTL, ainda que não tenha ficado surpreendida com o desfecho.

“Até podes estar a ser agredido, ninguém se mexe. Ninguém ajuda ninguém.”



Para Mompontet, a esperança é que a morte de Robert sirva de lição a quem anda na rua sem prestar atenção ao que se passa a seu redor.

“Se esta morte horrível poderá servir para alguma coisa, que seja para isto. Quando um ser humano está deitado no passeio, apesar da nossa pressa, verifiquemos a sua condição. Paremos por um momento”, apelou.

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