Incêndio destruiu restaurante que participou no “Pesadelo na Cozinha”. Veja o vídeo!

O Histórico, comandado por Leonel Carvalho ficou totalmente destruído. Mas já conta com uma onda de solidariedade para recuperar o espaço.
25 Janeiro 2022

A noite de sexta-feira, 21 de janeiro, no restaurante O Histórico, na Marinha Grande, terminou mais cedo do que o habitual. O turno foi calmo e Leonel Carvalho decidiu mandar a equipa para casa. O dia seguinte ia ser em cheio: o restaurante estava totalmente reservado pelo Sporting, para a gravação de um programa para o canal do clube.

Quando o telefone tocou pelas três da madrugada, o proprietário estava longe de imaginar o que estaria a acontecer. “Foram os vizinhos da frente que me alertaram, a mim e aos bombeiros”, recorda da noite em que viu o seu restaurante ser destruído pelas chamas.

“Ainda pensei que o incêndio pudesse ser facilmente controlado”, conta à NiT. “Fui lá dentro desligar o quadro elétrico a pedido dos bombeiros, não vi chamas. Só havia chamas no andar de cima.”
Pouco tempo depois, o chão desabava e destruía quase tudo o que restava do restaurante. O que não foi consumido pelas chamas, ficou irremediavelmente estragado pela água.



Há três anos à frente d’O Histórico, Leonel Carvalho teve o seu momento de fama no final de 2019, quando brilhou num dos episódios do programa “Pesadelo na Cozinha”, sobretudo por ser uma espécie de sósia do ator norte-americano Nicolas Cage.

De lá para cá, o restaurante “tem sido um sucesso”. Também por isso se tornou mais difícil encarar a nova realidade.

“O edifício ficou todo destruído por cima. Sótão, telhado. Ainda consegui recuperar dez relógios antigos, e quando estávamos a sair, sentimos tudo a desabar”, conta sobre o incêndio que, segundo o próprio, terá tido origem num curto-circuito no pequeno gabinete de estética que funcionava no piso superior do edifício.

Além dos danos materiais, do incêndio resultou ainda um ferido, um dos bombeiros que acudiu à chamada e que, numa queda, sofreu ferimentos na coluna vertebral. “O que não ardeu, está em mau estado. O meu restaurante era um museu”, frisou.

Do passado, recorda a situação difícil que viveu antes da passagem pelo programa da TVI. “Investi 48.500€ naquele restaurante, quando pensei que ia gastar apenas 15 mil. Tive que pedir dinheiro ao banco e quando já estávamos a trabalhar, fiquei quase sem dinheiro para pagar aos funcionários”, recorda.

Foi nesse momento que decidiu inscrever-se no programa, apenas porque “estava de rastos”. “A partir daí, o restaurante começou a crescer de tal maneira que dei graças a Deus por ter enveredado por esta atividade.”

A destruição d’O Histórico foi um golpe duro. “Chorei em direto na televisão porque me senti derrotado. Chorei como uma criança, porque tenho uma filha na faculdade, uma dívida ao banco”, explica.

Pelo caminho feito ao longo dos últimos anos, frisa, foi “conhecendo pessoas maravilhosas”. “Tenho recebido telefonemas de todo o lado. O que semeei ao longo deste tempo — e ao contrário do que mostrou o ‘Pesadelo na Cozinha’, que era muito show off e que não correspondia a realidade — está agora a dar frutos”, diz. “Não faço mais nada senão atender o telefone a pessoas que querem ajudar, que já passaram pelo restaurante.”

A onda de apoio criada pelos clientes ajudou-o a sair da profunda depressão em que entrou nos últimos dias. “Quando estava a pensar que a solução era o suicídio ou outra coisa qualquer — não que o fosse fazer, mas passa tudo pela cabeça nessa altura —, passo a estar numa espécie de estado de graça. De uma situação má para ter boas perspetivas”, esclarece.

A primeira abordagem veio de um casal de reformados norte-americanos, clientes d’O Histórico, que lhe deram apoio, mil euros e ainda se voluntariaram para criar um fundo de solidariedade. A mesma ideia teve outro casal, neste caso de franceses, que demonstrou a mesma vontade.



“Só queria estar fechado em casa, mas agora, ainda hoje, eram seis da manhã e já não conseguia dormir mais. Só queria ir para o restaurante trabalhar.” De momento, Leonel só quer encontrar um novo espaço para recomeçar a trabalhar e a criar o novo O Histórico. “Estou muito sensibilizado, sobretudo por estar no meio de uma situação catastrófica e ver começar a acontecerem todas estas coisas e apoios.”

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