Insólito | Abelhas de Elizabeth II foram informadas da morte da rainha

Apicultor real informou as abelhas do Palácio de Buckingham sobre a morte da rainha.
15 Setembro 2022
As abelhas da rainha Elizabeth II foram informadas sobre a morte da monarca. A informação coube à John Chapple, apicultor oficial do Palácio.
Esta prática remete aos séculos XVIII e XIX, John Chapple, de 79 anos, comunicou às colmeias do Palácio de Buckingham sobre morte da rainha Isabel II e que o seu filho era o novo governante, agora conhecido por Carlos III.

“A rainha morreu, mas não partam. O vosso novo rei será um bom mestre para vocês”, disse o apicultor real John Chapple, de 79 anos, a milhares de abelhas criadas nos jardins do Palácio de Buckingham.


Assim que soube da morte da monarca, o responsável pelas colmeias viajou até à propriedade para cumprir esta tradição. Os ingleses acreditam que se as abelhas não forem avisadas e não passarem pelo momento de luto deixam a colmeia, parando a produção de mel e, em último caso, podem até morrer.

Para comunicar o luto oficial das abelhas, John Chapple atou uma faixa preta em cada uma das cinco colmeias que estão no Palácio, fez uma oração e contou, em tom ameno, a notícia cruel enquanto dava leves toques nas casas dos insetos.

O mesmo foi feito em Clarence House, outra residência oficial ligada ao Palácio, onde existem duas colmeias. Ao todo, foram avisadas sobre a morte da rainha cerca de 20 mil abelhas.

Se a morte da rainha ocorresse no verão londrino, John Chapple afirmou que seriam mais de um milhão de pequenas produtoras de mel a serem avisadas. De acordo com o apicultor, a maioria das abelhas são da espécie europeia escura de Londres.

Tradição 

Contar as abelhas era uma prática bem popular nos séculos XVIII e XIX na Europa Ocidental e nos Estados Unidos. Além da monarquia, a prática já foi seguida por pessoas do campo que moravam na região da Inglaterra, assim como Irlanda, País de Gales, Alemanha, Holanda, França, Suíça e até mesmo os Estados Unidos.

Não há uma origem certa da superstição, mas de acordo com a biblioteca digital para investigadores JSTOR Daily, um poema de 1858 do escritor John Greenleaf Whittier da Nova Inglaterra chamado “Telling the bees” (“Conte às abelhas”, à português) traz uma pequena introdução sobre a prática, afirmando que a tradição é um “ritual folclórico” para “educar os inconscientes”.

Acredita-se que a prática pode ter origem na mitologia celta, onde a presença de uma abelha após a morte significava que a alma estava a deixar o corpo. Ao longo dos séculos, foi desenvolvida a prática de contar a vida do apicultor ou do dono das colmeias às abelha.


“Ela canta: “fiquem em casa, abelhas, não voem daqui! A senhora Mary está morta”, diz o poema. A poesia termina com a comunicação das abelhas, o que é entendido por estudiosos que John Chapple queria ressaltar a importância de “um ritual de transmissão da dor humana”.

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